Debatendo o livro “O Iluminado” de Stephen King (contém spoiler)

Olá pessoal!

Hoje resolvi fazer uma coisa diferente, terminei a algumas semanas de ler “O Iluminado” e decidi que não faria resenha deste livro, pois o que mais vemos nas “interwebs” da vida, são resenhas desse livro. Então decidi fazer uma análise (de uma forma bem leiga pois não sou perita no assunto), falando sobre o que achei do livro, dos personagens e tudo mais. Pessoal, esse texto contém spoilers, então se você ainda não leu o livro, vá ler e depois volte e deixe sua opinião!

O livro conta a história de Jack Torrance, um escritor e professor universitário, casado com Wendy e pai do menino Danny, que tem um “super poder” que o faz ser denominado como “iluminado”. Danny tem a capacidade de enxergar o mundo espiritual, pressentir coisas e ler pensamentos, ele capta a aura de lugares e consegue ver coisas ocorridas nestes lugares, isso tudo por intermédio de seu amiguinho imaginário chamado Tony que seria o subconsciente de Danny.

Jack é um alcoólatra que após perder seu emprego por bater em um aluno e ter quebrado o braço de seu filho de apenas 6 anos, tenta desesperadamente parar de beber e retomar a vida e a dignidade que perdera. Wendy, que é descrita como uma mãe boa e protetora, para mim é uma sonsa que tem medo de Jack e por isso insiste em relevar todas as coisas feitas pelo marido.

Vendo-se sem emprego, sem dignidade e passando por um processo de desintoxicação, Jack aceita o emprego ofertado por seu amigo de copo, Al Shokley, em um hotel nas montanhas, chamado Overlook, onde ele trabalharia no inverno como zelador, fazendo o serviço de manutenção do hotel, tendo tempo livre para voltar a escrever.

E lá vai a família Torrance rumo às montanhas, com a promessa de uma vida nos eixos e a recuperação total do pai de família, todos estavam muito felizes com o novo emprego, menos Danny, pois suas anteninhas de vinil já haviam captado problemas no Overlook. Assim que chegaram ao hotel, o gerente fez um tour com a família a fim de conhecerem toda a magnitude, e por esse tour, Danny teve várias experiências bizarras, logo de cara já presenciou na suíte principal uma cena de crime acontecida a décadas atrás. Sangue e miolos para todos os lados, isso apavorou muito o garoto, que manteve a boca fechada pois ele sabia o quanto esse emprego era importante para manter o casamento de seus pais. Danny veio a conhecer neste mesmo dia o senhor Hallorann, o cozinheiro do hotel, que também era iluminado e alertou ao garoto sobre as forças malignas contidas no hotel, especificou ao menino que não andasse de forma alguma no terceiro andar, principalmente que não entrasse no quarto 217, pois lá ele e outras diversas pessoas haviam presenciado o espírito de uma senhora morta na banheira.

No começo tudo estava indo bem, eles se divertiam, brincavam com Danny, Jack ensinava o filho a ler, Wendy estava começando a confiar mais em Jack e o menino por momentos até esqueceu que estava em um local assombrado.  Jack ia diariamente ao porão para verificar a caldeira e aquecer as alas do hotel, e em uma dessas idas, ele encontrou um álbum de recortes com todos os acontecimentos do Overlook, desde sua inauguração. Foi a partir daí que sua obsessão pelo hotel começou.

Enquanto Jack devaneava sobre o hotel no porão, Danny resolveu ir dar uma volta, adivinhem onde?! Justamente no quarto 217, não sei se é porque ele tem um misto de sonseira da mãe com pentelhice do pai ou se inconscientemente o quarto lhe chamou, e lá ele foi, deu de cara com a velha na banheira que o estrangulou até que ele entrasse em estado catatônico, foi de encontro com os pais, a bonita da mãe que só dormia e o louco do pai que estava cada vez mais possuído pelo hotel. A partir desse acontecimento, o hotel foi tomando força, cada vez mais espíritos se materializavam e a família ficava cada vez mais atormentada. Jack começou a frequentar o bar do hotel, que estava vazio, bebendo drinques imaginários e ficando bêbado, o hotel foi ganhando Jack aos poucos, se alimentando não só dos poderes de Danny, mas da raiva reprimida de Jack e do medo crescente de Wendy.

O Hotel foi ficando incontrolável, até que um dia se apossou de Jack por completo…..

Tá bom, será que o hotel possuiu Jack ou somente aflorou o que Jack sentia, pois ele já tinha um sentimento de raiva incubado e uma auto piedade, sempre colocando a culpa dos acontecimentos, ora na bebida, ora em sua mulher e filho. Creio que o maior vilão de toda essa história, não é o hotel com seus fantasmas, seus espíritos ruins, e sim o enclausuramento imposto, que trás a tona o lado mais obscuro de cada ser humano. Um exemplo bem superficial do que um enclausuramento pode fazer, é no filme “A Experiência”, onde uma equipe de cientistas recruta vinte pessoas para um experimento psicológico. O experimento consistia em dividir as pessoas entre oito policiais e doze detentos, eles teriam de encenar o ambiente carcerário e ficar enclausurados lá por um tempo indefinido. Acontece que com o tempo passando, os escolhidos para encenar os policiais, começaram a se sentir como tais, abusando de seu “poder”, e os presos se revoltando acabaram por fazer uma rebelião. Não contarei o final do filme pois espero que se interessem por assisti-lo.

Stephen King é um exímio especialista em abordar os medos mais íntimos do ser humano, transformando-os em monstros bizarros. Assim como no livro It, em que o simpático palhaço Pennywise se transforma no medo da pessoa,  O Iluminado não é somente uma história de fantasmas, muito além disso, é uma demonstração de como nós somos os próprios monstros e só precisamos de um incentivo para que eles venham a tona.

Bom, por hoje é só isso, espero que tenham gostado dessa pequena conclusão que tirei do livro. Quem tiver gostado, peço que curtam, comentem e compartilhem se quiser. Deem sugestões, dicas e críticas.

Até a próxima!

Amanda Gerardel

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Autor: Blog Livrando a Capa

Blog literário, aqui você encontra resenhas, indicações, desafios literários e muito mais!

5 comentários em “Debatendo o livro “O Iluminado” de Stephen King (contém spoiler)”

  1. Gostei muito da sua iniciativa de fazer uma análise, Amanda. As resenhas são boas ferramentas pra gente sistematizar o que leu e ajuda as pessoas a saber mais antes de se aventurar na leitura, mas acho que temos que valorizar mais nossas interpretações. Espero que venham mais análises por aí!

    Curtido por 1 pessoa

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